sexta-feira, 2 de agosto de 2013





 Chega o mês do desgosto


por Samuel Celestino

Agosto chega trazendo boas informações políticas e, de igual modo, dificuldades. O principal fato, embora possa ser ultrapassado pelo surgimento de alguma crise acentuando as que o País já atravessa, é a retomada do julgamento dos mensaleiros, agora com a corte completa por dois novos ministros. Os ministros do Supremo pretendem que o colegiado aja com rapidez, porque o clima das ruas é adverso. Isso dependerá da maneira como decidiram envolvendo os tais recursos infringentes. São os que determinam possíveis mudanças sentenças dos réus condenados com a diferença de apenas um só voto. Há divergência sobre este recurso. Muitos ministros entendem que ele não deve ser acatado por ter sido sepultado décadas atrás.

Mas, no caso de a corte entender em sentido contrário, simplesmente o julgamento pode virar de modo que seja escolhido novo relator e novo revisor para o processo e, aí, quanto tempo irá levar não se sabe. Poderá ultrapassar 2013. Provavelmente, as ruas poderão se agitar em manifestações e, talvez, com acampamentos em frente ao Supremo Tribunal Federal. Os protestos poderão recrudescer porque, como ensinou o papa, é próprio dos jovens “e os jovens que não protestam não me agradam”.

Dilma se sabe rezar, deve estar a fazê-lo para que o Brasil entre em calmaria. Muito difícil será porque se a agitação não vier de um lado, virá de outro, do Congresso Nacional, que retorna do seu recessozinho de julho. A presidente tentou se intrometer em questões específicas do Congresso, ao falar numa grande reforma política a partir de uma constituinte restrita, com plebiscito, e depois ensaiou um referendo. Nada do que propôs teve repercussão na população de maneira geral e, de outro modo, gerou indiferença e mal estar no Congresso Nacional. Como resposta, a base aliada entrou em processo de desgosto com o Palácio do Planalto, dele discordou e tratou de construir o que imaginou ser a solução.

Organizou um grupo de trabalhos, entregou a coordenação ao petista Cândido Vacarezza e agora, ao retornar, pretende, em dois meses, votar uma reforma política que certamente chegará ao eleitor aleijada, sem pontos básicos como, por exemplo, determinar o financiamento público das campanhas, e não privado, para evitar corrupção ou, pelo menos, diminuí-la. A princípio, imagina-se que participação privada só de pessoa física até o teto de R$700, o que será, ou seria, uma decisão correta.

Ademais, a presidente está dizendo coisas desencontradas como o fez na semana passada ao dizer que “Lula não voltará porque nunca saiu (do poder)”. Uma derrapada marcada pela incompetência política. Até aqui, a presidente não agradou em nada e pouco fez para entender o grito das ruas. Criou, sim, problemas eleitorais para ela, que cai na pesquisa, como o tal programa “Mais Médicos”, que os profissionais da medicina repelem, porque se a situação da saúde é ruim, poderá ficar pior se, por aqui, aportarem os brasileiros que estudam uma medicina mambembe na Bolívia, ou médicos cubanos que, para os médicos brasileiros, são apenas simples técnicos.

Enfim, este agosto que chega pode ser um daqueles que sempre trouxe desgosto para o Brasil.

* Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta quinta-feira (1º).

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